Sem terra anunciam ocupações em todo o estado

06.09.2005

A chamada “Via Campesina”, que reúne o Movimento dos Sem Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) na Paraíba, está programando uma série de invasões, que deverão começar na próxima semana, no Estado. As ocupações são parte de uma jornada de luta pela reforma agrária e contra o modelo econômico do governo federal, que está sendo intensificada esta semana em todo o País. Segundo os organizadores do movimento, as propriedades a serem ocupadas já estão escolhidas, mas os dias exatos em que acontecerão as invasões deverão ser definidos de acordo com a infra-estrutura que o movimento tiver. Entre eles já há quem fale em setembro, outubro e novembro vermelhos. As ocupações, segundo os sem-terra, é uma forma de pressionar o governo a acelerar a reforma agrária.

Na Paraíba, uma caminhada está chegando hoje à capital e uma comissão pretende ser recebida pelo governador Cássio Cunha Lima. Segundo Dirlei Aparecida Schiochet, uma das coordenadoras do movimento, caso a audiência não aconteça, os trabalhadores farão uma série de movimentos na cidade, que disse serem “de forte impacto social”. Um dos movimentos será a ocupação da Praça João Pessoa. Na pauta da audiência, os trabalhadores querem discutir com o governador a desapropriação de seis das dez áreas inclusas no convênio firmado com o Instituto Nacional de Reforma Agrária, no meio do ano passado. Segundo o advogado da CPT, Noaldo Meireles, até agora só foram desapropriadas as fazendas Santa Emília, em Pedras de Fogo, Maravalha, em São Miguel de Taipu, a Mata de Navalha e a Fazenda Tambauzinho, em Santa Rita. Para Dirlei, o governo deve acelerar o processo de desapropriação. Ainda sobre esse assunto, os trabalhadores querem discutir a forma de desapropriação, através dos modelos de desapropriação por interesse público e por intermédio do Banco da Terra. Segundo Dirlei, a Paraíba ainda possui 2,5 mil famílias em acampamentos, à espera de terra para morar. Essas pessoas estão distribuídas em 39 locais, todos considerados áreas de conflito. “As fazendas Nêgo Fuba e Tambauzinho, no município de Santa Rita e a Fazenda Esperança, na cidade de Esperança, são os locais mais difíceis”, concluiu.

Por Ainoã Geminiano