Eleição Presidencial de 2006: Lula caminhando para a vitória?

06.09.2006

por Ítalo Fittipaldi
Professor de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais da UFPB

As últimas pesquisas de intenção de voto apontam para uma folgada vitória do atual Presidente no primeiro turno da eleição de outubro. Com base nas últimas pesquisas de intenção de voto (Ibope; Sensus/CNT; DataFolha), o longo processo de exposição à mídia dos variados “escândalos” de seu governo e as tímidas taxas de crescimento econômico registrado por sua administração, parecem não ter afetado a imagem do chefe do Executivo junto ao eleitorado. A que se deve esta “blindagem” da imagem presidencial de Lula? Observando as opções de políticas da administração petista é possível encontrar algumas explicações para este fato.

A Ciência Política contemporânea identifica o processo de tomada de decisão do voto como uma escolha racional do eleitor, que define sua preferência baseada na taxa líquida de retorno proporcionada ou esperada em relação a cada candidato. Ou seja, o indivíduo define seu voto de acordo com os ganhos que espera obter – ou que já obteve – com as políticas públicas produzidas, ou a serem executadas em determinado período de tempo. Assim, desde que uma parcela da população sinta-se atendida pelo grupo político situacionista, não será a exposição midiática de escândalos na administração federal que oblitera a empatia gerada entre o Presidente e o eleitorado. Não por acaso, o maior programa social em execução no mundo – o programa Bolsa Família – tornou-se o principal cabo-eleitoral lulista.

Afinal, se a taxa de crescimento econômico ainda é tímida, ao desagrega-la, percebe-se que a expansão de renda nas camadas mais baixas da população, decorrente da execução deste programa, apresenta significativo aumento. Para expressivo contingente populacional beneficiado por esta política pública nada mais natural que manifestar sua preferência pelo atual governo. Será que acontecerá algo até outubro para mudar este quadro?