Espigões à beira-mar comprometem a qualidade de vida dos pessoenses

06.09.2006

por Raquel Limeira Ferreira dos Santos
Membro da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (Apan)

A defesa do meio ambiente e a qualidade de vida são os dois grandes argumentos justificadores da luta pela proibição de espigões na orla marítima da Paraíba. Em 1989, a APAN (Associação Paraibana dos Amigos da Natureza) e o Fórum em Defesa da Praia encamparam ações para a coleta de mais de 4 mil assinaturas a fim de propor emenda à Constituição para inserir no texto legal o artigo 229 estabelecendo o escalonamento para limitar o gabarito (altura máxima) das edificações na orla.

Com base em estudos científicos, comprovou-se que a construção de espigões (edifícios muito altos) compromete a qualidade ambiental da praia, haja vista a rede de esgotos encontrar-se no limite máximo suportável.

A presença de espigões resultaria na necessidade de construção de emissários submarinos que levariam o esgoto para o mar. Isto seria uma verdadeira tragédia para todas as formas de vida presentes naquele ecossistema. Além disso, o paredão de pedra impediria a ação do calor do sol nas areias, permitindo a proliferação de fungos, causadores de danos à saúde humana. Como se não bastasse, ainda impediria a passagem da ventilação para outros locais da cidade. O que diriam os moradores do Centro, Jaguaribe, Cruz das Armas e do restante da cidade ao saber que a ventilação do seu bairro estaria completamente comprometida por causa de um paredão de concreto?

Pois é exatamente isto que aconteceria se os espigões fossem construídos. Esta brisa maravilhosa que contempla todos os recantos da cidade, não chegaria aos bairros mais distantes e os “bem intencionados“ empreendedores da construção civil e do setor hoteleiro ainda falam de democratização do espaço, é piada… A praia, a ventilação, a paisagem, o meio ambiente equilibrado é patrimônio de todos. A Paraíba é o único Estado da costa brasileira que mantém na sua Constituição a preservação da orla, livrando-a da lógica perversa dos grandes empreendedores potencialmente degradadores e excludentes.

O movimento ambientalista e a população estão atentos e vigilantes, conscientes de que o potencial turístico da Paraíba está justamente na capacidade de resistir e se manter diferente, os incomodados que se contentem com a uniforme mesmice de Copacabana e Boa Viagem.