30 mil paraibanos não têm onde morar

26.12.2006

Por: Julyana Alencar

Mais de 30 mil famílias paraibanas estão sem-teto, sendo que metade delas mora em João Pessoa. Este é o déficit habitacional da Paraíba, números significativos e que aumentam a cada dia. Os dados são do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), que há 14 anos está presente no estado atuando em oito cidades: João Pessoa, Santa Rita, Bayeux, Cabedelo, Patos, Sapé, Salgado de São Félix e Pitimbú. “Não lutamos só pela casa e sim pela infra-estrutura para que essas famílias possam viver dignamente”, afirma Roberto da Silva, coordenador do Movimento.

Apesar de todo o trabalho que tem sido realizado, o déficit habitacional ainda assusta. De acordo com o Movimento, seria necessário que em cada ano de mandato o governador, prefeito e presidente construíssem cerca de 3,5 mil casas para que este déficit crescente começasse a diminuir.

O Movimento tenta trabalhar em conjunto com as três esferas do poder executivo, nos níveis federal, estadual e municipal. “Infelizmente, por questões políticas, esse trabalho em conjunto não ocorre aqui na Paraíba, mas, estão sendo realizados projetos para a moradia, principalmente, no âmbito federal e municipal”, disse o coordenador. O Governo Federal tem realizado alguns programas para melhoria da habitação no país. De acordo com Roberto, os recursos destinados à moradia eram gerenciados unicamente pelos estados e pelos municípios, mas hoje há uma maior abertura para os movimentos sociais interferirem nas políticas públicas de habitação.

Há algumas boas notícias. Agora em dezembro devem ser entregues 200 casas na capital e em março do próximo ano o Movimento, juntamente com a prefeitura de João Pessoa, entregam mais 1.336 casas. “Aqui na capital existem cerca de sete acampamentos e a atual prefeitura e o movimento estão trabalhando para que todos (as) tenham uma moradia digna”, relata.

Movimento condena venda de casas

Mesmo com essa luta constante, ainda existem pessoas que vendem suas casas e vão morar em condições piores do que estavam. Para Roberto esta é uma ação condenada pelo Movimento. “Quando sabemos de um caso como este, imediatamente contactamos o órgão responsável para que se tomem providências. Infelizmente, o voto ainda é considerado mais importante que a moradia, logo, essas famílias continuam com as casas. Porém, nós condenamos essa prática e retiramos a pessoa do movimento”, garante.

Para tentar diminuir outra prática comum, a da migração, o Governo Federal criou um cadastro das pessoas que foram contempladas com a moradia em todo o território nacional para que este mesmo cidadão não vá de cidade em cidade ganhando casas. Graças a esse cadastramento foi possível detectar que três das 1.336 famílias que seriam contempladas no ano que vem já tinham ganhado casas em outras cidades da Paraíba.