As minorias nas eleições brasileiras: expressão da democracia

10.09.2010

Por Moisés Costa Neto, mestre e doutorando em Sociologia pela UFPB

E-mail: moises.neto@gmail.com

Texto publicado originalmente no Jornal Falando DHireito de julho, agosto e setembro de 2010. Clique aqui para ver a edição completa.

A partir de 1824, e durante todo o período monárquico no Brasil, a Constituição apontava o que se chamou de voto censitário. Tratava-se da definição dos cidadãos brasileiros aptos a votarem baseando-se, como critério, na renda. Embora alguns historiadores defendam que essa modalidade de sufrágio não era de todo excludente, posto que a boa parte da população ganhava mais de 100 mil réis, podemos imaginar quais eram os critérios para se candidatar a um cargo elegível nos poderes públicos.

A Constituição de 1988 garantiu não somente o voto universal como também a possibilidade do brasileiro ter acesso a cargos públicos durante os processos eleitorais. Tiririca, na atualidade, é o expoente máximo do hodierno avanço da democracia brasileira. Palhaço, humorista, desdentado, mestiço e, agora, suspeito de analfabetismo, como se essa condição se constituísse, nos meios de comunicação, em crime grave, Tiririca foi um dos candidatos mais votados nessas últimas eleições. Entretanto, para celebrar a festa da democracia, tivemos muitos outros personagens que, de fato, representam a pluralidade tão peculiar de nossas terras tupiniquins.

Negros, pobres, gays, lésbicas, travestis, transexuais, mulheres, cadeirantes e toda a miscelânea de pessoas que compõem a alteridade étnica, cultural, social e econômica brasileira, percebendo, um tanto tardiamente, as possibilidades de entrarem no jogo da política, mostraram a face para cerca de 190 milhões de pessoas. O que muitos podem chamar de “candidatos bizarros” nada mais são que o real poder inclusivo a que se propõe nosso sistema democrático de governo.

Tiririca é a verdadeira celebração da festa democrática, já que revela que, para além do que dita nossa elite branca e escolarizada, a política está aberta, agora, como nunca na história deste país, para todos os brasileiros. Parabéns, Tiririca; parabéns a nossa democracia.