Dom José Maria Pires, apóstolo do povo

14.09.2017

Por José Ewerton Nóbrega Araújo

Advogado e membro-suplente do Conselho Fiscal da FDDHMMA

Em 27 de Agosto deste ano de 2017 recebi a infausta notícia do falecimento de Dom José Maria Pires, aos 98 anos de idade, em Belo-Horizonte, MG. Dom José, embora mineiro de nascimento, se afeiçoou tanto à Paraíba nos seus vinte e nove anos de atuação pastoral como Arcebispo de João Pessoa, tanto que só saiu daqui quando foi declarado emérito do cargo pela Santa Sé, o que equivaleu à sua aposentadoria naquela atividade.

Tive a grata satisfação de trabalhar, como advogado voluntário, juntamente com outros colegas, no Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Paraíba (CDH) que Dom José instituiu quando aqui chegou em 1966, em pleno regime da ditadura militar (anos de chumbo, dizia-se). O CDH, anos depois, e ainda no governo deste prelado, foi transformado em uma fundação criada pela Arquidiocese – a Fundação de Defesa dos Direitos Humanos “Margarida Maria Alves” (FDDH-MMA), assim denominada pelo bravo sacerdote para homenagear a grande camponesa paraibana, lutadora dos direitos dos trabalhadores rurais e, por isso, assassinada, anos atrás, pelos sicários dos latifundiários.

Quem bem disse sobre Dom José, na edição de 29 deste mesmo mês, do jornal Correio da Paraíba, foram as várias personalidades que se pronunciaram a respeito da vida e obra do bispo. Todos foram unânimes em afirmar que Dorn José reunia em sua pessoa duas grandes virtudes: a virtude da humildade: era homem que levava vida simples, longe das pompas e ostentações; a virtude da coragem: sempre esteve presente na luta pelos direitos dos pobres e desassistidos. Não é pois de se admirar que Dom José tenha encontrado oposição e ódio e até sofrido perseguição de vários setores ultraconservadores da sociedade paraibana. Nada disso, porém, o fez desistir de sua luta humanitária e pacífica, tal como o grande Ghandi – bem lembrado por algum de nossos comentaristas – o fez para libertar sua pátria, a índia, do jugo inglês.’

É uma honra para a Paraíba haver recebido e sepultado o corpo do grande levita, hoje, 29 de Agosto, na nave central da catedral metropolitana.