Festival Político-Cultural comemora o Dia Internacional da Mulher em João Pessoa

03.03.2020

No dia 8 de março, às 16h, na Praia de Tambaú, João Pessoa/PB, acontecerá o I Festival Político-Cultural das Mulheres. Com o lema “Basta de Violações! Juntas por Direitos!”, a ação faz parte de uma agenda nacional de atos em diversas cidades do país e do interior do estado.

Múltiplas expressões artísticas e culturais estarão compondo o evento, que terá música, poesia, slam, intervenções artísticas, batucada feminista, performance, exposição fotográfica, feira de trocas e apresentação de trabalhos oriundos da academia. No palco, estão confirmadas a presença de Val Donato, Slam das Minas, Gatunas, Gláucia Lima, Jana, grupo Tia Ciata, Voz Ativa e Cida Alves. Além disso, grupos de batucada feminista farão arrastões partindo de diferentes partes da cidade até a praia. A performance “Um estuprador em teu caminho” também será realizada na ocasião.

O evento fará homenagem póstuma a três mulheres, lutadoras do movimento de mulheres, que partiram recentemente: Paula Oliveira Adissi, Fernanda Benvenutty e Cris Nagô. São mais de 60 organizações na promoção e realização do ato, dentre elas, partidos políticos, sindicatos, associações,Ong’s, coletivas, movimentos sociais, grupos, Secretarias de Governo e fóruns.

Segundo Joana D’Arc da Silva, da Cunhã Coletivo Feminista, as mulheres estão indo para as ruas contestar e denunciar o projeto ultradireitista em vigor, que é de profundo desmonte das políticas públicas voltadas para o segmento: “Este projeto coloca em risco nossas famílias, nossos filhos, atenta quanto à qualidade de trabalho e de direitos. E a gente percebe que desde a destituição da primeira Presidenta eleita que as regras estão sendo burladas sequencialmente com o agravamento do golpe, onde o atual presidente viola os espaços e atenta contra as instituições e a democracia a qual ele jurou ser o Guardião”.

DADOS ALARMANTES

A Paraíba registrou um crescimento de 11,76% no número de casos de feminicídio em 2019, segundo dados do Anuário da Segurança Pública PB – 2019. O número de casos passou de 34, em 2018, para 38, em 2019. “Vamos denunciar que é indecente e imoral viver em pleno século XXI e ainda ver algumas mulheres serem mortas por sua condição de mulher. O feminicídio é indecente e inconcebível no marco civilizatório. Uma mulher ser tirada a vida porque se nega a servir ou cumprir o desejo dos seus companheiros”, comenta Joana D’arc.

Marli Soares, coordenadora do Grupo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais da Paraíba Maria Quitéria, alega que a situação é mais grave para as mulheres negras: “Estamos vivendo num país fascista, de ditadura, e nesse sistema quem mais sofre são as mulheres negras, lésbicas e pobres. Então temos que dizer um basta a todas essas relações”

HOMENAGEADAS

A Paraíba perdeu recentemente três mulheres que estavam à frente de diferentes movimentos sociais no estado. Paula Adissi era uma das principais construtoras do 08 de Março na Paraíba e faleceu em 5 de dezembro último, vítima e um câncer de colo de útero. “Paula era uma grande militante que iniciou a sua jornada ainda jovem no movimento estudantil. Ela evoluiu a sua leitura de mundo e percebeu que ser mulher também tinha suas desigualdades e que as igualdades de gênero eram, também, estruturantes de poder nessa sociedade”, comenta Heloisa de Sousa, da Marcha Mundial de Mulheres – PB.

Fernanda Benvenutty era enfermeira e militante transexual, dos direitos humanos LGBTTQI+. Ela foi vice-presidenta da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e presidenta-fundadora da Associação das Travestis da Paraíba (Astrapa). “O nome social de travesti não se refere apenas ao nome de mulher pelo qual queremos ser chamadas. Nós queremos ser respeitadas na nossa identidade de gênero” dizia. Fernanda faleceu no dia 02 de fevereiro em virtude de complicações advindas de um câncer no estômago.

A capoeirista Cristiana Soares, “Cris Nagô”, 43 anos, foi morta com três tiros, em frente aos seus alunos, enquanto dava aula de capoeira, em Campina Grande, no dia 1º de fevereiro.

Joana D’Arc destaca que devemos celebrar as nossas lutadoras: “O ato não é só de contestação, mas também, de reconhecimento da luta das mulheres – trans, lésbicas e negras; e o reconhecimento dessas três mulheres, neste momento, é uma forma de celebrarmos suas vidas pela continuação da luta”.

ACOLHIMENTO PARA AS CRIANÇAS

O I Festival Político e Cultural das Mulheres na Paraíba também irá celebrar o Espaço das Crianças com uma estrutura de acolhimento coletivo, e a ideia é que os homens possam estar à frente desse cuidado: “A participação dos homens no cuidado leva a desconstrução de estigmas como o de que a responsabilidade de cuidar das crianças seja exclusividade das mulheres, e também confronta o machismo com práticas construtivas que relacionem a inserção no afeto e cuidado porque eu realmente acredito que o feminismo deve perpassar pela união e inserção desses homens nos debates e nas lutas”, comenta Carol Porto do Coletivo Pachamamá.

MÊS INTENSO DE JORNADA

O 08 de Março é considerado uma Jornada porque são realizadas atividades durante o mês inteiro, com dezenas de ações em várias cidades, construídas pelo esforço de entidades permanentes de luta pelos direito das mulheres.

Desde o início de fevereiro e acontecem diversas prévias no intuito de convidar as mulheres para as ruas. Blocos de Carnaval como o Bloca Arretada Ano I (14/02 – JP) e o Amélia Nunca Mais (23/02 – CZ), além de debate sobre feminicídio ao vivo pelo Facebook, oficina de instrumentos musicais, oficina de autocuidado, roda de diálogo, sessão de cinema especial para as mulheres, dentre outros.

Nesta quarta-feira (04) vai haver: Sessão Especial de Mulheres a exibição de Curta-metragem de Diretoras da Paraíba, às 15h no Cine Banguê. Também vai ter o Brechó e Oficina de Pirulitos – Mensagens Feministas Contra Violações e Perda de Direitos, na Praça da Paz, Bancários, a partir das 15h.

Já o debate “Qual o Seu Feminismo”, será na Casa de Cultura Livre Olho D’água, às 18h. No dia 05/03, às 17h, no mesmo local,vai rolar a “Noite Feminista Paula Oliveira”, organizado pela Marcha Mundial de Mulheres.

8M EM OUTRAS CIDADES DA PB

Em Juarez Távora vai acontecer a inauguração da I Feira de Artesanato e Gastronomia, no bairro de Vila Nova, às 8h. Em Campina Grande será a Cavalgada da Mulher, com concentração em frente ao Detran, a partir das 8h. Na cidade de Esperança, haverá a XI Marcha Pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, com concentração no Campo de Futebol, na entrada da cidade, dia 12/03, a partir das 8h, com as Trabalhadoras Rurais e outros segmentos. Há agenda ainda em cidades como Cabedelo, Santa Rita, Areia, Bananeiras, Rio Tinto e Mamanguape. A programação completa você pode conferir na página no Facebook: Jornada do 8 de Março das Mulheres da Paraíba.

MANIFESTO DAS MULHERES

Um documento construído pelo Movimento de Mulheres na Paraíba encontra-se em fase final de revisão e será apresentado em breve. O manifesto vem reafirmar o posicionamento político de luta das mulheres e feministas, trazendo análises, denúncias e uma chamada às mulheres do estado para ocupar as ruas no, talvez, 08 de Março mais difícil dos últimos 30 anos no nosso país.

Mais informações sobre o evento e atividades: clique aqui.