Meio de transporte precário prejudica Forte Velho

06.11.2006

Por: Diógenes de Luna

A precariedade no serviço de transportes que atende à comunidade de Forte Velho, localizada no município de Santa Rita, não preocupa os gestores públicos daquela cidade. O trapiche, único meio de saída dos barcos, esteve prestes a desabar. Ele foi interditado há mais de 90 dias pela Capitania dos Portos, mas a prefeitura local deixou de lado o problema. Graças a um ato público de protesto promovido pelos moradores no final de setembro, a Superintendência de Planejamento do Estado (Suplan) assumiu e concluiu a primeira parte da reforma do trapiche.

O barco é o meio de transporte mais usado pela comunidade de Forte Velho. A vice-presidente da Associação de Moradores, Givanilda Gomes da Silva, relata esta realidade. “Cerca de 95% dos moradores usam a embarcação. Os que mais usam o barco são pessoas que trabalham fora daqui, além dos jovens que vão à escola”, afirma. O trapiche é fundamental para o tráfego desses passageiros. “Agora, com o trapiche interditado, somos forçados a enfiar o pé na lama para sair do barco”, protesta, lembrando que o barco que está fazendo o transporte além de menor do que o que já existia, ancora no mangue, no leito do Rio Paraíba, ao lado do trapiche em obras.
Só há dois acessos a Forte Velho: por água, atualmente feito por meio de um barco para 25 pessoas por vez, ou por terra, em uma estrada de barro e esburacada, por onde trafega um ônibus duas vezes ao dia.

A situação prejudica também a educação dos jovens. Givanilda comenta que à noite não circulam mais ônibus, impedindo o acesso dos moradores à escola que fica em Livramento, uma comunidade próxima a Forte Velho.

Há dois anos a Capitania dos Portos vem questionando a segurança do local

Em 2004, a Capitania dos Portos inspecionou o local e constatou a falta de segurança que o trapiche apresentava à população. “Foi convocada uma reunião com representantes das prefeituras de Santa Rita, Lucena e Cabedelo e deliberado um prazo de 120 dias para reforma ou construção de um novo trapiche”, lembra Givanilda.

Como não houve compromisso com a deliberação da reunião, o trapiche ficou sem a obra. Em abril deste ano, a Capitania convocou nova reunião com as três prefeituras e deu um prazo de 60 dias para a reforma do local. Nada foi feito e o local foi interditado.

A associação dos moradores de Forte Velho mobilizou toda a comunidade diante do fato. “Convocamos inclusive a imprensa e um parlamentar estadual que nos apoiou. A mobilização surtiu efeitos e quando estávamos em um programa de rádio, ao vivo, um representante da Suplan ligou para a rádio prometendo assumir a responsabilidade da obra”, explica Givanilda.

A obra compreende a reforma do trapiche, a iluminação do local e a pavimentação da estrada que dá acesso a ele. De acordo com o outdoor do Governo do Estado que estava próximo ao trapiche, R$ 47.585,94 já foram investidos e um prazo de 60 dias foi dado para seu término. O prazo se encerrou em setembro, mas só no início do outubro o trapiche foi reaberto.