Rede de Juristas comemora cinco anos

27.04.2008

Nem mesmo a chuva tirou o brilho da celebração pelos cinco anos da Rede de
Juristas Populares, que reuniu quase cem pessoas na área de lazer do Sesc Centro, em João Pessoa, neste domingo, 27. Abrindo o palco para artistas populares de Santa Rita, João Pessoa e Bayeux, o evento envolveu também os Juristas Populares de Forte Velho. A festa contou com vários ritmos, passando pela MPB, coco de roda e eletrônica, além da apresentação do trabalho de poetas populares e cordelistas. Além dos Juristas, também estiveram presentes pessoas das comunidades onde a Rede tem realizado seu trabalho de educação ambiental.

Entre os motivos para celebrar, os Juristas destacam a possibilidade de trabalhar de forma articulada e a chance de trocar experiências entre os grupos onde eles estão inseridos, além da conquista de benefícios para as comunidades envolvidas e a difusão do conhecimento do direito entre a população. A Rede surgiu da necessidade de saber por onde andavam os Juristas já formados e que estavam atuando dentro de seus grupos e comunidades, de forma a acompanhar melhor os resultados do projeto Curso de Juristas Populares, promovido pela Fundação Margarida Maria Alves. “Quando eu ainda estava no curso, a gente se perguntava onde os Juristas estavam e se os conhecimentos adquiridos no curso estavam sendo multiplicados dentro das comunidades”, lembra uma das fundadoras da Rede, Socorro Miranda.

E o quadro que se via naquela época não era muito diferente do que se vê hoje, mas com uma grande diferença, na opinião dos Juristas: a mobilização das comunidades. “Muita coisa evoluiu desde então, nada ficou parado. Hoje temos contato com os companheiros e vemos que as pessoas estão se mobilizando para melhorar a qualidade de vida nas comunidades e lutar por seus direitos”, acredita o Jurista Antônio Siqueira. Para ele, este contato permite que as lutas locais sejam fortalecidas e que haja uma intensa troca de experiências.
Atualmente, a Rede de Juristas Populares conta com o apoio da agência da Cooperação Internacional Misereor, que está custeando as atividades até o final de 2009. Todos os meses acontecem atividades de educação ambiental nos quatro núcleos, além de atividades formativas, com discussões em torno da legislação que mais interessa às comunidades.

Admitindo ter uma postura naturalmente positiva diante dos desafios, a Jurista Marilene Dantas avalia que, mesmo não reunindo todos os que passaram pelo curso, a atuação da Rede tem sido bastante concreta, o que garante qualidade na falta de quantidade. “Principalmente depois que iniciamos o trabalho de educação ambiental, percebemos cada vez mais o envolvimento dos moradores dos bairros por onde passamos. E isso é uma conquista e tanto para celebrar nesta data”, acredita.