Após visita a São Miguel de Itaipú, mulheres querem levar horta adiante

22.10.2010

Comunidade Unida visita São Miguel de Itaipú para conhecer as hortas comunitárias

A visita ao assentamento Antônio Conselheiro, em São Miguel de Itaipú, rendeu frutos em todos os sentidos. Com a presença de quatro mulheres da Comunidade Unida, beneficiárias do projeto “Educação para a Saúde e o Meio Ambiente”, da Fundação Margarida Maria Alves em parceira com a BrazilFoundation, foi possível conversar com os trabalhadores das hortas do local, que passaram dicas e orientações a respeito do processo.

Os técnicos da Fundação, Gustavo Leite Castelo Branco e José Mracos Salgueiro falaram sobre o projeto e sobre a entidade, convidando a comunidade para conhecer, inclusive, o Curso de Formação de Juristas Populares. Todas (as) recerem exemplares do Jornal Falando DHireito e se apresentaram. Hênio Régis Alves, empresário, falou da ideia das hortas, que surgiu da preocupação dos pastores da Igreja Anglicana local com a subsistência dos moradores. “Pensamos, primeiro, na construção de uma casa de farinha e, em seguida, nas frutas”, ele conta.

S. Miguel e Comunidade Unida: Troca de experiências

Mas, na prática, a lida com as frutas era demorada e o proprietário de um supermercado local sugeriu que a produção fosse voltada para as hortaliças, pois, na época, esses produtos eram fornecidos pela cidade de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, e abasteciam toda João Pessoa.

Joel mostra os leirões de sua horta

Com isso, a produção ficaria concentrada nas proximidades da capital, melhorando o custo benefício de produtores, vendedores e consumidores. Com a promessa de mercado, assim foi feito. A Igreja investiu no projeto comunitário, emprestando o capital inicial para a consolidação da estrutura, que custou cerca de R$18 mil. O trabalho contou com a participação de seis pessoas do assentamento, que foram capacitadas por profissionais do Sebrae, Incra, Emater e Consplan. Mas, com pouco tempo, surgiram problemas de convivência: por isso, Hênio sugeriu que as mulheres da Comunidade Unida se dividissem em grupos para trabalhar e que as hortas fossem mais individualizadas. Para ele “quanto mais pessoas, pior”.

Hoje, existem 4 hortas no assentamento Antônio Conselheiro, mas isto não significa que a horta comunitária não funcione: a produção é diversificada, cada pessoa trabalha em separado ou em duplas, mas as vendas podem acontecer em conjunto, o que, no fim, beneficia todos (as) os (as) envolvidos (as).  É assim que as hortas funcionam lá.

Para os agricultores Luís Abílio Barreiro, Joel Luís da Silva e Maciel Barbosa, o trabalho valeu a pena. Além de vender toda a produção, eles ainda a consomem, garantindo benefícios de todos os lados. Maciel acredita que a persistência é a chave para o sucesso: “Não pode pensar em desistir. Todo dia enfrentamos barreiras, mas superamos todas”.

Já Joel entende que o cuidado dispensado no tratamento das hortaliças é o diferencial. Eles acordam muito cedo e trabalham até tarde, e precisam levar os produtos para João Pessoa, há 41 km de distância. Como não usam agrotóxicos, todos os seus produtos são orgânicos: “São como filhos. A horta é parte da minha família, cuido dela com muito carinho”, afirma.

Para a pastora Eliane Freire de Almeida Chacon, da paróquia anglicana de Santo Estevão, é importante também salientar que essa iniciativa representa uma união do social com a evangelização e o empreendedorismo. “As reuniões para a organização das hortas aconteciam logo após os cultos”, ela conta.

Os agricultores estão sempre informados a respeito das demandas do mercado, e procuram incorporar alimentos diferentes nas suas hortas, como é o caso da Pimenta Biquinho, de sabor adocicado: seu preço pode chegar aos R$17 o quilo. Joel e Hênio comentaram que, por causa da oscilação dos preços no mercado, planejar toda a produção é essencial.

O advogado Gustavo L. Castello Branco aprende na prática

Depois da conversa, todos (as) foram conhecer as hortas, e viram como a produção é organizada. Acompanhamos, inclusive, a plantação de alfaces e todos (as) ganharam brindes: alface crespa, alface americana, pimenta, coentro e manjericão. Após o lanche, a visita terminou, com a certeza de que a produção orgânica é, sim, possível, e uma ótima fonte de renda, além de uma maneira eficaz de proteção e manutenção do meio ambiente.