Homens em processo judicial no ciclo reflexivo

A Fundação de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Maria Alves iniciou mais uma etapa do “Projeto Repensar: Refletindo Coletivamente a Violência Doméstica e Familiar Contra Mulheres” com a realização do primeiro grupo reflexivo com homens em processo judicial. A atividade é realizada na sede da entidade em parceria com o Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB), que encaminha os participantes.

Ao todo serão 10 (dez) encontros tratando de questões como a reflexão sobre papéis familiares e conflitos de convivência; gênero; violência; a solução de conflitos a partir do diálogo; convivência familiar: comportamento agressivo; Direitos Humanos; Lei Maria da Penha; sexualidade; doenças sexualmente transmissíveis e comportamentos de risco; violência sexual; entre outras.

Segundo Ana Beatriz Eufrauzino, agente de direitos humanos que facilita os encontros, têm sido utilizadas metodologias como exibição de vídeos, círculos reflexivos e dinâmicas, como a “teia da violência” e “o que seria coisa de homem e coisa de mulher?”, para discutir a construção cultural da relação dos homens com as mulheres.

Homens em processo judicial participando da “teia da violência”

“Em alguns ofensores temos percebido que estamos conseguindo atingir certo grau de desconstrução. Tivemos um encontro, por exemplo, que após terminarmos de explicar a Lei Maria da Penha e a questão do ciclo da violência muitos ficaram impressionados com o tanto de coisa é violência contra a mulher. Alguns, inclusive, falaram ‘às vezes a gente faz isso sem nem saber que é violência’ e deixamos bem compreensível para eles que é. Nosso foco é mostrar que não se resolve conflitos com violência, um diálogo é sempre a melhor opção”, declarou Ana.

Tâmisa Rúbia, também agente de direitos humanos facilitadora, destaca a metodologia empregada: “Estamos utilizando as técnicas de justiça restaurativa e resolução de conflitos para trabalhar questões de gênero, violência, violência estrutural, e, justamente, buscar desconstruir essa perspectiva machista que eles trazem. Acredito que o projeto esteja caminhando bem e da maneira que foi pensado”.

Ana Beatriz Eufrauzino, a esquerda, e Tâmisa Rúbia, a direita

O Projeto já realizou oficinas sobre violência doméstica e familiar com mulheres da Associação Mulheres Artesãs Santarritenses, em Santa Rita/PB, e do Condomínio Josemir Mendes, no Conjunto Mariz em Bayeux/PB. Além de mais três grupos reflexivos com homens, também realizará quatro grupos reflexivos com mulheres, um Encontro de Sensibilização com servidoras/es do Ministério Público Estadual, um Seminário Nacional sobre Experiências de Grupos Reflexivos com Homens para discutir a Violência Doméstica e Familiar e a elaboração de uma cartilha norteadora para o trabalho do Grupo Reflexivo no âmbito do Sistema de Justiça.

O Projeto Repensar é apoiado com recursos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Estado da Paraíba, instituído pela Lei Estadual Nº 8.102, de 14 de novembro de 2006.