Jornal relembra história e legado de Dom José Maria Pires

17.08.2020

Matéria do último domingo, 16, o Jornal A União, página 17, relembrou o saudoso Dom José Maria Pires e citou nossa Fundação de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Maria Alves.

O texto foi produzido por Lucilene Meireles e fala sobre as lutas de Dom José e seu legado. Confira um trecho:

“O negro sempre foi discriminado e ainda continua sendo. Você vê que o negro tem que lutar muito para ocupar algum lugar na sociedade, e as estatísticas mostram que mesmo lutando e tendo competência, a média salarial do negro é inferior à do branco. O Brasil continua sendo um país racista”. As palavras foram escritas por Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba e primeiro bispo negro do Brasil em um depoimento sobre o Centro de Defesa dos Direitos Humanos na Paraíba, em algum momento entre 2005 e 2006.

A frase é de quem sentiu na pele a punhalada do preconceito, mas nem por isso deixou de exercer seu papel de cristão. São palavras de quem se manteve firme na luta em prol dos mais carentes e dos que, assim como ele, sofreram discriminação racial. Pela sua batalha contra a intolerância, o religioso ficou conhecido como o bispo da causa negra. Dom José Maria Pires foi o primeiro arcebispo negro no Brasil e, por sua posição, era visto de forma diferenciada.

Certa vez, um padre amigo, ao apresentá-lo a uma fazendeira idosa, disse: “Dona Fulana, a senhora está vendo pela primeira vez um bispo negro”. E Dom José contou, em depoimento: “Ela olhou para mim meio desconfiada, olhou para o padre, depois olhou para mim, olhou para ele de novo e disse: ‘Ô padre, ele pode ter sido negro, hoje não é mais’. Porque eu era bispo, não era negro”. Nenhuma situação o desanimava, e ele sempre dizia. “Não se forma time de negros e a sua presença na vida pública, nas universidades, na política é exceção. Num país que tem um grande contingente de negros, a presença negra na vida política é quase irrelevante. Em nossos tribunais, quantos são ao todo? Em quantos há magistrados negros na composição de nossas cortes de Justiça?”.

Você pode conferir o texto completo e fazer o download da edição pelo link: https://bit.ly/3h6biiF